terça-feira, 24 de novembro de 2009

Se eu fosse um livro...

Encontrei um site que tem un teste que nos diz que livro seriamos nós, se acaso fossemos um livro.




"Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

"O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.

"Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml

domingo, 15 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tempo de mãe...um pouco de mim

Mãe não tem tempo para nada!!!
Mãe consegue fazer seu tempo dar para tudo!!!

Ando sem tempo de dar conta de tudo,
Mas estou tentando conseguir fazer tudo e dar frutos...

Tenho lido muito sobre a fenomenologia e muito Fiodor M. Dostoiévski....
Caramba!!! Estou descobrindo um novo amor. É um verdadeiro deleite passear pelas letras deste escritor fantástico!
Não há como passar por esse mundo ser ter lido ao menos um livro de Dostoiévski.
Começei por "Noites Brancas" e fui conquistada!

Para quem quiser , tenho a sugestão da edição de bolso da LPM&Pocket, que tem uma traduçaõ muito boa e custa só 8 reais.

Mas não é uma leitura desocupada e despreocupada. Tenho um objetivo com ela.
Este objetivo é me aproximar mais de quem foi Santa Teresa Benedita da Cruz, a nossa amiga Edith Stein. Numa leitura que fiz sobre ela, havia um relato no qual ela dizia que Dostoiévski foram seus livros de cabeçeira.
E eu quero passar pelos caminhos dela, ao menos na leitura, lendo. além de Dostoiévski, tamém São João da Cruz, Santa Tereza D´Avila, etc.

Um dia se Deus quiser lerei as sonhadas obras completas de Edith Stein, que infelizmente só tem em espanhol e que eu não  domino NADA!!!
Bom, abraço a todos

E não se esqueçam!!




Melhor um bom livro do que conversas Frívolas!!
 (Prof. Felipe Aquino)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Oração a Santa Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein

Senhor, nós vos louvamos e vos bendizemos por terdes suscitado, no meio do povo eleito, Santa Teresa Benedita da Cruz. Ela, que percorreu o caminho da cruz, do sofrimento e do martírio, interceda por nós para que saibamos, com alegria e amor, carregar nossa cruz de cada dia. Que possamos experimentar na ciência da cruz o amor de Jesus e nos tornemos capazes de lutar contra os males que ferem a diganidade humana. Amém.

Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!

Fonte: http://www.carmelosaojose.com.br/oracoes.php

"Já não sou o que era" - Sta Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein


JÁ NÃO SOU O QUE ERA



Tu, com imenso amor, fundes o Teu olhar no meu
e inclinas Teus ouvidos à minhas mudas palavras
e enche-me o coração de uma profunda paz.

Mas teu amor não acha satisfação
nesse intercâmbio, em que pode haver ainda separação:
Teu coração anseia por mais.

Como banquete matinal vens a mim toda a manhã,
Tua carne e Teu sangue se fazem comida e bebida para mim,
e acontecem maravilhas.

Teu corpo misteriosamente penetra o meu,
e Tua alma se une com a minha:
já não sou mais o que era!

Tu chegas e partes, permanece porém a semente
que lançaste para frutificar na glória futura,
escondida no corpo de barro.

Permanece o vínculo que une coração a coração,
a corrente vital que brota da Tua
e a todos os membros vivifica.

Como são admiráveis Teus amados milagres!
só nos resta assombrar-nos, balbuciar e calar,
pois a mente e a palavra aqui falham.

(EDITH STEIN)

Fonte :http://www.carmelosantateresa.com/santos/edithstein.htm

Pétalas de Rosas de Sta. Teresa Benedita da Cruz - Edith Stein

Acredito que você pode ajudar melhor os outros, preocupando-se o menos possível consigo, com as soluções e mantendo sempre uma atitude despreocupada e alegre.

A nova geração de hoje passou tantas crises que não nos entende mais, mas devemos tentar compreendê-la, pois daí então poderemos talvez ajudá-la um pouco.

Pois Deus, a Santíssima Trindade inteira está em nós. Quando conseguimos construir em nosso interior uma morada bem fechada, retirar-nos para dentro o maior número de vezes possível, então, não nos poderá faltar mais nada em nenhum lugar do mundo.

A essência mais íntima do amor é a doação. Deus, que é amor, doa-se nas criaturas, que Ele criou para o amor.

Acolher Deus significa dirigir-se a Ele na fé, ou “ter fé em Deus”. Assim a fé é um captar, agarrar Deus. Experimentá-lo, no entanto, pressupõe ser experimentado: não podemos crer sem a graça. E a graça é o compartilhar da vida divina. Quando nos abrimos para a graça, temos o inicio da vida divina em nós.

Sou somente um instrumento do Senhor. A quem me procura, desejo dirigi-lo para Ele. E onde sinto que não é isto, mas o simples interesse pela minha pessoa, aí não posso servir como instrumento e devo pedir ao Senhor que me ajude por outros caminhos; pois Ele jamais depende de uma só pessoa.

Quando algo se realiza do que pedi em oração longamente e com perseverança, fico ainda mais encantada com o poder do que com a graça alcançada imediatamente.

Penso, de qualquer modo, estarmos seguindo um caminho muito seguro e cada uma fazemos todo o possível para tornar-nos vazias de nós mesmas, a fim de nos deixar preencher com a graça divina.

Para mim é muito irreal pensar que a misericórdia divina se ligue nos limites da Igreja visível. Deus é verdade. Quem procura a verdade está na busca de Deus, queira ou não queira.

Geralmente recebemos uma cruz mais pesada, quando desejamos nos livrar daquela que tínhamos antes.

A fé está mais próxima da sabedoria divina do que toda ciência filosófica, mesmo teológica. Todavia, visto que andar no escuro trona-se difícil, por isso cada raio de luz, que cai em nossa noite como impedimento da futura clareza, é uma ajuda inestimável para não errar em nosso caminho.

O amor é, em seu sentido íntimo, doação do próprio ser e união como amante. O espírito divino, a vida divina, o amor divino – tudo isso não significa nada mais do que: Deus mesmo – conhece-o quem faz a vontade de Deus. Pois, na medida em que ele faz, com a mais íntima doação, aquilo que Deus exige dele, a vida divina torna-se sua vida íntima: ele encontrará em si, quando entrar em si.

A oração da Igreja é a oração do Cristo vivo. Ela tem seu modelo na oração de Cristo durante sua vida humana.

O que seria oração da Igreja, se não fosse a entrega totalitária dos grandes amantes de Deus, que é Amor?

Estou feliz por tudo. Só podemos adquirir a ciência da cruz, experimentando a cruz até o fim... Repito no meu coração: Ave, cruz, spes única (Ave, cruz, única esperança).

Deus dirige a cada um de nós seus próprios caminhos: um chega mais fácil e mais rápido à meta do que outro. Na realidade é pouco o que podemos fazer em relação àquilo que opera em nós. Mas esse pouco devemos fazê-lo. Isto é, antes de tudo: Perseverar na oração pelo caminho reto sob o impulso da graça quando a sentimos, e segui-la sem resistência. Quem age assim, perseverando pacientemente, não poderá dizer que seus esforços sejam em vão. Somente não deve dar um prazo ao Senhor.

Existe uma vocação para o sofrimento de Cristo e, por isso, para a colaboração com sua obra redentora. Quando estamos unidos com o Senhor, somos assim membros do Corpo Místico de Cristo: Cristo continua vivo em seus membros e continua seu sofrimento neles; e o sofrimento que se suporta em união com o Senhor é seu sofrimento, colocado na grande obra redentora e nela existe seu fruto. É o pensamento fundamental de toda a vida religiosa, mas principalmente da vida do Carmelo: colaborar na salvação da humanidade pelo sofrimento voluntário e alegre em prol dos pecadores.

A cruz é mais eficiente do que a mortificação que se exerce por livre e própria escolha. Sim, a cruz enviada por Deus, exterior e interior.

Ó Senhor, meu Deus, dá-me tudo, tudo o que for guia para chegar mais a ti. Ó Senhor, meu Deus, tira-me toda de mim e apropria-te totalmente do meu ser.

Cada um deve conhecer a si mesmo para saber onde e como poderá encontrar a serenidade e a paz. O melhor é jogar todas as preocupações, por curto tempo, diante do Santíssimo, frente ao sacrário, para quem não é possível, para quem é necessário talvez um repouso corporal, uma pausa em seu próprio quarto. E, quando não há possibilidade para um repouso exterior, porque não existe lugar para onde se retirar, quando deveras ofertas irrecusáveis impedem a hora silenciosa, pelo menos fechamos o nosso interior, por um momento, contra o resto e nos refugiaremos no Senhor. Ele está aí e nos oferece, nesse único momento, aquilo de que precisamos.

- Tudo aceitar como é, colocar nas mãos de Deus e entregá-lho. Assim se poderá repousar Nele, descansar de verdade e começar o novo dia como uma nova vida.

Fonte: http://www.carmelosantateresa.com/santos/edithstein.htm

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pra quem pensa que padre tem que casar....

Tá aí o que a Igreja Católica diz sobre o celibato sacerdotal

o artigo chama-se "Base Teológica para o Celibato Sacerdotal" no site: http://www.presbiteros.com.br/

Ta aí o link: http://www.presbiteros.com.br/index.php/base-teologica-do-celibato-sacerdotal/

Dia de Formação sobre Teologia do Corpo

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Poder da Oração Simples

Gostaria de partilhar com vcs a segunda leitura do Ofício Divino (29°Semana do Tempo comum - I Semana do Saltério), que consta na Liturgia das Horas, e que apresenta Santo Agostinho falando da oração do Pai Nosso, uma oração simples e profunda.


Da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo

(Ep.130,11,21-12,22:CSEL44,63-64) (Séc.V)

A oração do Senhor

Temos necessidade de palavras para incitar-nos e ponderarmos o que pediremos, e não com a intenção de dá-lo a saber ao Senhor ou a comovê-lo. Quando, pois, dizemos: Santificado seja o teu nome, exortamo-nos a desejar que seu nome, imutavelmente santo, seja também considerado santo pelos homens, isto é, não desprezado. O que é de proveito para os homens, não para Deus. E ao dizermos: Venha teu reino que, queiramos ou não, virá sem falta, acendemos o desejo deste reino; que venha para nós e nele mereçamos reinar. Ao dizermos: Faça-se a tua vontade assim na terra como no céu, pedimos-lhe conceder-nos esta obediência de sorte que se faça em nós sua vontade do mesmo modo como é feita no céu por seus anjos. Dizemos: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Pela palavra hoje se entende este nosso tempo. Ou, com a menção da parte principal,indicando o todo pela palavra pão, pedimos aquilo que nos basta. O sacramento dos fiéis, necessário agora, não, porém, para a felicidade deste tempo, mas para alcançarmos a felicidade eterna. Dizendo: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos a nossos devedores, tomamos consciência do que pedimos e do que temos de fazer para merecer obtê-lo. Ao dizer: Não nos leves à tentação, advertimo-nos a pedir que não aconteça que, privados de seu auxílio em alguma tentação, iludidos, consintamos nela, ou cedamos perturbados. Dizer: Livra-nos do mal nos leva a pensar que ainda não estamos naquele Bem em que não padeceremos de mal algum. E este último pedido da oração dominical é tão amplo, que o cristão em qualquer tribulação em que se veja, por ele pode gemer, nele derramar lágrimas, daí começar, nele demorar-se, nele terminar a oração. É preciso guardar em nossa memória, por meio destas palavras, as realidades mesmas. Pois quaisquer outras palavras que dissermos – tanto as formadas pelo afeto que as precede e esclarece, quanto as que o seguem e crescem pela atenção dele – não dirão nada que não se encontre nesta oração dominical, se orarmos como convém. Quem disser algo que não possa ser contido nesta prece evangélica, sua oração, embora não ilícita, é carnal; contudo não sei como não ser ilícita, uma vez que somente de modo espiritual devem orar os renascidos do Espírito.

Pra quem quiser conhecer ou rezar a Liturgia das Horas, visite este site: http://www.liturgiadashoras.org/home.html . Para rezar a Liturgia das Horas é só clicar no link Oração.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ahhhh... Senhora Paciênia!!!

Tem horas que a gente tem que ter uma senhora e infinita paciência ao passar, passear, claudicar no paraíso do padecimento feminino.

domingo, 11 de outubro de 2009

Bagunça



Quando os conflitos se tornam bagunça é fácil perceber. O exterior atinge a mesma proporção que o interior. Rearrumar o exterior nem sempre rearrumar o interior. Tudo que esta do lado de fora incomoda. Tudo que está do lado de dentro assusta. A tempestada que acalmou do lado de fora, do lado de dentro apenas incobriu a bagunça da incompreenção interior. Bagunça que aflige a alma daqueles que tem pouca fé, não sabem o que fazer, nem para onde ir.
Num grito de desespero, busca-se abstrair olhando o horizonte ou contemplando o "céu que habita a deusa dos raios azulados". Apenas tentando infrutíferamente fugir, correr, escapar. Quem dera outro planeta renascer das cinzas e se tornarn uma terra mais forte,bela e feliz, sem que para isso necessite de outros habitanttes para chegar ao seu objetivo.
Bagunça, confusão, estagnação, arrependimento...O planeta que um dia sorriu, por hora, chora e grita em seu interior por um salvador que lhe dê uma chance de rearrumar-se, uma chance de tornar a viver, sem se arrepender de no passado não ter estado arrumado, mas que com o presente organizado é capaz de compreender tudo que estava errado. E no futuro...
Bem...
Este pode ser melhor pensado.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Fundamental


Recomeço


''Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora, soltar, desprender-se. As pessoas precisam entender que ninguém está jogando com cartas marcadas, ás vezes ganhamos e ás vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é."( Fernando Pessoa )

Extraído do blog: http://suelemoliveira.blogspot.com/

Feridas abertas

"Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor! Assemelha-se ao cardo da charneca e nem percebe a chegada do bom tempo, habitando o solo calcinado do deserto, terra salobra em que ninguém reside.  Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio; se vier o calor, ela não temerá, e sua folhagem continuará verdejante; não a inquieta a seca de um ano, pois ela continua a produzir frutos. Nada mais ardiloso e irremediavelmente mau que o coração. Quem o poderá compreender? Eu, porém, que sou o Senhor, sondo os corações e escruto os rins, a fim de recompensar a cada um segundo o seu comportamento e os frutos de suas ações." (Jeremias 17, 5-10)




terça-feira, 6 de outubro de 2009

Celine Dion - There Comes a Time

Ai Vem Um Momento
(My Love: Essencial Collection)


Me deixe ser seu soldado
Vou ficar de pé por você
Quando seu mundo estiver desabando
Eu vou ser a única a te abraçar
Me deixe ser seu soldado
Vou lutar a luta por você
Quando você estiver contra a parede
Eu vou te puxar

(REFRÃO)

Ai vem um momento
Na vida de todo mundo
Quando ficar sozinho não é suficiente
Para fazer as coisas certas
Ai vem um momento
Quando precisamos pedir por ajuda
Quando você esta perdido e não forte o bastante
Para passar por uma noite
Quando seu amor esta na linha de frente

Me deixe ser seu soldado
Eu vou aceitar a dor por você
Quando ninguém mais estiver do seu lado
Eu vou te defender
Me deixe ser seu soldado
Eu vou carregar a cruz por você
Quando você estiver triste e de joelhos
Eu vou te proteger

(REFRÃO)

Ai vem um momento
Na vida de todo mundo
Quando ficar sozinho não é suficiente
Para fazer as coisas certas
Ai vem um momento
Quando precisamos pedir por ajuda
Quando você esta perdido e não forte o bastante
Para passar por uma noite
Quando seu amor esta na linha de frente
Me deixe ser seu soldado

(REFRÃO)

Ai vem um momento
Na vida de todo mundo
Quando ficar sozinho não é suficiente
Para fazer as coisas certas
Ai vem um momento
Quando precisamos pedir por ajuda
Quando você esta perdido e não forte o bastante
Para passar por uma noite
Quando seu amor esta na linha de frente
Quando seu amor esta na linha de frente
Quando seu amor esta na linha de frente
Me deixe ser seu soldado
Vou morrer por você

Não parece um belo poema de Jesus para aqueles que estão sofrendo??

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Mais uma prece


Jesus, manso e humilde
Autor: Fábio Roniel
(Cd: Tempo de Colheita - Eliana Ribeiro)

Meu Jesus, venho a Ti,
Aceita meu clamor e minha oração!

Meu Jesus, estou aqui,
Preciso do carinho de tuas mãos,
Acariciando o meu coração
Endurecido e Machucado,
Que não sabe perdoar,
Fechado somente na razão está.
Então, ensina-me Senhor a amar,
E a entender que para amar é preciso se humilhar.

Jesus manso e humilde de coração,
Viver com este coração eu não posso.
Jesus manso e humilde de coração,
Fazei o meu coração semelhante ao vosso.




quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sobre "A Vida de David Gale"

Uma vez fiz uma analise sobre o filme "A vida de David Gale" sob a perspectiva de Sartre para a pós graduação e ficou legal. Então estou partilhando com vcs.



A Vida de David Gale
(Um filme de Allan Parker)

Por: Cynthia L

Personagens Principais: David Gale, Bitsey Bloom e Constance Horraway.


Sinopse do filme:

O crime é evidente. A verdade não.

David Gale é um brilhante professor de filosofia. Tem livros publicados, é respeitado e extremamente inteligente... Ele é acusado de ter estuprado e assassinado uma colega de trabalho e ex-aluna. Às vésperas da sua morte, David pede a presença da repórter Bitsey Bloom para que lhe conceda uma entrevista exclusiva, onde finalmente contaria toda a verdade sobre o caso. Trata-se de uma história inacreditável e fantástica, envolvendo alcoolismo, a mulher que o abandonou, a melhor amiga e confidente que está morrendo de leucemia, um advogado incompetente e um governador que adoraria eletrocutá-lo.

Quanto mais Bitsey ouve a história de David, mais ela fica estarrecida. Porém faltam apenas quatro dias para a execução do prisioneiro e talvez a jornalista não tenha tempo de fazer nada para inocentá-lo.


Resumo: Neste trabalho tomamos o filme A Vida de David Gale como guia para abordar a teoria filosófica de Jean Paul Sartre, observando alguns pontos da teoria sartriana como: Projeto, morte, liberdade, a relação do ser e possivelmente outros temas que estejam representados nas cenas e diálogos do filme.

A priori foram selecionados cinco diálogos que chamaram a atenção, e que representam pontos a serem refletidos pelo ser humano desejante de conhecer e compreender a essência da sua existência e da sua liberdade como para-si , frente às solicitações do mundo.

David: Por onde começamos?

Bitsey: Você começa me dizendo o que estou fazendo aqui?

David: Ninguém que olha através do vidro vê uma pessoa. Vê um crime. Eu não sou David Gale. Sou um assassino e estuprador a quatro dias de sua execução. Você está aqui porque quero ser lembrado tanto pelo rumo que dei a minha vida e pelas decisões que tomei, como pela forma que minha vida chegou ao fim.

A mescla entre a arte do cinema e a psicologia, hoje, pode ser vista nas mais diversas obras cinematográficas que fazem com que ficção e realidade se entrelacem como forma de fazer o público pensar, sobre suas aspirações frente sua própria existência e a existência do outro. Como afirma Izhaki, em ambas criam-se concepções sobre a vida. (p.47)

A vida de David Gale apresenta, de forma inteligente, pela ficção um tema extremamente delicado e discutido em todas as sociedades. Possibilitando de formas sutis novas formas de se pensar em temas polêmicos, no caso a pena de morte.

Para tanto, bastou um desafio do governador, favorável a pena de morte, ao personagem principal do filme, David Gale, ativista contrario a questão, para que se criasse na mente do filósofo, uma trama, intrigante e surpreendente, com a meta de por em prática o objetivo do projeto original de David: fazer com que o mundo pense na questão abordada pelo filme. Como fala Constance ao preparar David para uma entrevista na TV junto ao governador:

...os mortos não servem como prova e os quase mártires não contam.

Podemos afirmar então, que uma das premissas de David, foi acreditar que se não houver obstáculos e resistências, não haveria necessidade de ação. Pensamos então desta ser uma das possibilidades surgidas para que o trio executasse a ação. Aqui consideramos a questão da liberdade que Sartre aborda, exemplificada na fala de Perdigão: “Ser livre é fazer escolhas concretas. E até mesmo a abstenção e a inatividade são modalidades de escolha” (p.87). Quando David, Constance e o cowboy decidem pela trama do filme, esta escolha se mostra livre, por parte dos três, pois está determinada a se querer por si mesma. A liberdade está no sofrer as adversidades e as pressões do mundo, pois a liberdade faz-se no esforço despendido para realizar no mundo o nosso projeto , e a única forma de realizar este projeto é pela ação.

O personagem David Gale, constrói sua vida de forma consistente e pacata. Têm mulher e filho, um emprego estável e convicções concretas. Estas convicções, regidas por seus valores e moral ou não, pode nos fazer acreditar que formam os pilares para a construção de seu projeto, ele quer superar uma situação atual visando algo que ainda não existe, um ideal que o homem não projetou. Talvez por isso o engajamento de David e dos outros membros a ONG Deathwatch. Porém pensasse que suas aspirações em prol de olhar o ser humano na sua essência sem classificá-lo por normas, rótulos ou nosografias, mostram-se de forma bem interessante a partir da Filosofia, profissão de David, e representada através da fala do professor Gale em uma aula na universidade.

Entendam a idéia de Lacan: as fantasias têm de ser irreais porque no momento, no segundo que consegue o que quer não quer, não pode querer mais. Para poder continuar a existir o desejo tem de ter os objetos eternamente ausentes. Vocês não querem “algo”. O desejo apóia fantasias desvairadas. Foi essa a idéia de Pascal ao dizer que somos realmente felizes, quando sonhamos acordados com a felicidade futura. Daí o ditado: “O melhor da festa é esperar por ela” ou “Cuidado com seus desejos”. Não pelo fato de conseguir o que quer, mas pelo fato de não querer mais depois de conseguir. Então a lição de Lacan é: Viver de desejos não traz felicidade. O verdadeiro significado do ser humano é lutar por viver por idéias e ideais. E não medir a vida pelo que obtiveram em termos de desejo, mas pelos momentos de integridade, compaixão, racionalidade e até mesmo sacrifício. Porque no final a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros.

Ao planejar sua ação e atingir seu objetivo, o sacrifício próprio em nome de uma causa para fazer as pessoas pensarem no tema da pena de morte, David coloca em prática, a partir desta fala, todas as suas crenças e valores, ou seja, colocava a mostra sua própria essência. Pois os valores dependem da liberdade e do compromisso que cada homem assume com suas decisões. Ao fazer uma escolha do que quer ser, o faz segundo seus juízos e valores. Escolhendo, busca apresentar o modo como todos deveriam ser, escolhe-se o universal e implica seus atos a toda humanidade. A responsabilidade individual envolve todas as pessoas.

Mas que para seu projeto tivesse sucesso, ele deveria escolher alguém que de forma bem pessoal tivesse as mesmas convicções. Bitsey Bloom tinha estas convicções e olhava os sujeito a partir da sua essência, daí a sua fama de proteger todos até mesmo, assassinos, estupradores e pedófilos.

Mas o que eles (David, Constance e o cowboy) poderiam fazer para que Bitsey fosse exatamente pelo caminho que eles haviam planejado? A arte da sedução e articulação pela palavra talvez tenha feito Bitsey atender ao chamado dos personagens. Para isto, David Gale precisou ser bastante manipulador, sendo assim ele levou Bitsey onde ele queria: usa-la para contar sua história e fazer da sua morte algo que perpetuou o significado da sua luta ativista.

Sartre considera a morte um possível não escolhido, afirmando que esta contraria todo o projeto, não abrindo novos possíveis, mas destruindo todos os projetos futuros. Porém no projeto de David, a morte, tornou-se uma escolha, afinal para provar seu ponto de vista, sua execução fez-se necessária.

É possível que a ação de David Gale tenha surgido a partir do calar-se frente a argumentação do Governador. Porém perder a vida por escolha só poderia ser por motivos muito íntimos e singulares para cada um envolvido na cena do crime, como por exemplo, Constance aceitar para não sofrer com a leucemia e a solidão que era sua vida.

Bitsey: ... de qualquer forma não há uma só verdade, só pontos de vista.

Como filosofo, David devia acreditar nas afirmações de Heidegger e Sartre sobre a morte quando dizem, que é a única escolha que não podemos fazer, e a única certeza que temos é a certeza de que morreremos. Ou seja, contra a morte não há como lutar. Sendo assim ele termina dizendo algo que confirma seu projeto e objetivos, para que Bitsey compreenda que seu objetivo ali não é o de salva-lo, mas o de contar esta história.

David: Você não está aqui para me salvar. Esta aqui para limpar minha memória perante meu filho. É que eu quero.

Bitsey: Você vai deixar que matem você?

David: Bitsey passamos a vida tentando deter a morte. Comendo, inventando, amando, rezando, matando. Mas o que realmente sabemos sobre a morte? Já que não tem volta. Mas chega uma hora na vida, um momento em que a mente subsiste os desejos às obsessões. Quando os hábitos sobrevivem aos sonhos, e quando os fracassos... Talvez a morte seja uma dádiva, quem sabe?
Só sei que amanhã há esta hora eu estarei morto. Eu posso dizer quando, mas não sei dizer o porquê.



 PERDIGÃO, P. Existência e liberdade: uma introdução a filosofia de Sartre . Porto Alegre: L & P, 1995.
 IZHAKI, F. Amarelo Manga: pudor e perversão. Revista: Caderno de estudos e pesquisa/ ano VII/ n° 18/ ISSN 1517-5758.

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